North Americam P-51 Mustang  
 

 

Artigos Técnicos :

 



 

North American P-51 Mustang " Cadillac dos Céus "


Um inicio complicado
 
Quando a comissão Britânica de Compras, dirigida por Sir. Henry Self, foi enviada aos EUA em 1938, tinha intenção de comprar o mais rápido possível aviões militares, mesmo os EUA não estavam em guerra mas esta fase de 1937 até pouco antes da entrada na guerra, foi marcada por uma ajuda a todas as nações que a ela solicitavam, tanto com equipamentos de terra, navais ou aéreos.
 
A comissão tinha em mente solicitar mais P-40´s a Curtiss , mas o presidente da North American então James H. Kindelberger, ou "Dutch" Kinderlberger como era mais conhecido fez uma contra proposta, em uma reunião foi exposto que os P-40 para a finalidade que a RAF e a Armée de I´Air desejavam era inadequado, principalmente pela falta de um turbo compressor no então Allison V-1710.
 
"Dutch" Kindelberger , pediu a comissão 3 meses para aprimorar o P-40 , e assim garantir que a encomenda de 1.740 aviões fosse suprida pela North American , que já negociava os T-6 como avião treinador para a RAF. A comissão conhecia a competência da North American e aceitou esperar 120 dias para avaliar a nova proposta, foi ai que surge o NA-73.

 
 
NA-73 - Protótipo do Mustang I 


Esta articulação toda era uma verdadeira "prova" para a North American, pois ela nunca havia projetado e construído caças, o Eng. chefe da NA então James Atwood estudou o P-40 em tunel de vento e conseguiu alguns fatos , poderiam manter o Motor Allison do P-40 assim ganhavam tempo, mas a aerodinamica toda foi mudada para uma bem mais refinada.
 
Todo o esboço do projeto foi feito pelo então projetista-chefe Edgar Schmued na fabrica de Inglewood, tendo todos os dados disponíveis enviados por telegrama de Atwood , trabalhou a noite de 24 de Abril toda e desta forma o NA-73 agora tinha uma cara. Todo o serviço foi feito e encaminhado de volta para James Atwood que em Nova York em uma reunião em 29 de maio de 1940 expôs todo o futuro projeto a Comissão de compras da RAF, estes ficaram impressionados e colocaram logo de imediato uma encomenda de 320 maquinas.
Mas o pedido veio com uma exigência, a North American deveria entregar o primeiro avião no mesmo período que levaria para iniciar a produção do P-40´s ou seja o mesmo prazo de 120 dias prometido por Dutch Kindelberger, e o custo por avião não deveria ultrapassar US$ 50.000,00 por avião.
 
O NA-73 era um projeto inovador para a época, e o tempo era critico para NA, o motor allison V-1710 foi incorporado a nova fuselagem logo no inicio, e foi feito um esforço tremendo para reduzir o arrasto aerodinâmico do Radiador, que acabou sendo alojado abaixo do Cockpit., mantendo-se a pequena entrada de ar para o carburador no topo do capo no nariz, como no P-40 original.
 
Outro ponto forte do projeto era a aerodinâmica das asas, usando então o conceito de fluxo laminar, que consistia ter a parte grossa da asa não no bordo de ataque, mas sim no meio da asas, garantindo um arrasto aerodinâmico bem melhor. O NA-73 não tinha sido feito para ter este tipo de asa , mas com a ajuda de Ed Horkey e sua equipe eventuais problemas de encaixe e montagem foram solucionados.
 
O prazo foi cumprido , usando apenas 117 dias dos 120 tidos como limites e em 30 de agosto de 1940, o protótipo estava pronto para inicio dos testes, devido a atraso no desenvolvimento do Motor Allison V-1710-F3R de 1.150 hps , o protótipo só pode levantar vôo em 26 de outubro de 1940 com o chefe de pilotos de prova Vance Breeze nos comandos.
 
Agora o pedido era de 620 maquinas e o NA-73 ganhou um nome, Mustang, os ingleses sempre preferiam nomes a designações, e esse nome parecia adequado, pois combinava o poder e descendência americana do avião.

 
 
Mustang I   - P-51A Mustang


 
A pesar dos problemas financeiros da Inglaterra , as entregas dos Mustang I a RAF foram liberadas pela Casa Branca, pois para eles era vital a sobrevivência das ilhas Britânicas frente a ameaça nazista.
 
As primeiras unidades foram encaminhadas desmontadas em um comboio que sofreu um ataque aéreo próximo ao seu destino, mas a carga chegou as mão da RAF ilesa e o primeiro vôo ocorreu em 24 de outubro de 1941, sendo sediados na base de Speke.
 
Os teste iniciais da RAF mostraram que o Mustang I era uma maquina quase perfeita, era capaz de atingir 375mph a 15.000 pés, enquanto o Spitfire Mk V atingia apenas 340 mph, só superando o Mustang em vôo de ascensão até 20.000 pés onde ele conseguia a marca de 7 minutos e o Mustang I a marca de 11 minutos, tal diferença se dava pela falta de um turbo compressor no motor o que deixava o Allison sem força para empurrar a o avião, fora que o  peso do Mustang I era 1.700 libras a mais que o Spitfire Mk V, ou seja algo em torno de 8.600 libras, e a 21.000 pés a velocidade era de 357 mph, o que deixava o Mustang mais lento que o Bf-109F4 e o Spitfire Mk V, mas o avião tinha chamado a atenção não por estes fatos, mas sim por ser bem estável, manobrável , atendia rápido aos comandos e era rápido no mergulho.
 
Tendo como a altitude de operação o seu maior problema o Mustang I foi encaminhado para o Comando de Cooperação do Exercito, livrando um maior número de Spitfires´s para o comando de Caça. Quanto mais baixo o Mustang I voava melhor ele se adaptava, o que ocorria ao inverso dos Bf-109F e Spitfires, então ficou obvio que a melhor chance dos Mustang eram operar baixos deixando a briga em níveis mais altos para os Spitfires, estes forçavam os Bf-109 a descer e ai os Mustang´s caso fosse necessário entravam na briga, caso contrario davam apoio aproximado a tropas do exército.
 
O Mustang I chamou a atenção do Corpo Aéreo dos EUA, quando começaram a pegar alvos de oportunidade na França Ocupada , voando baixo e rápido, atiraram em tudo o que tinha marca nazista pela frente, atormentando as tropas de solo. Ele era equipado com 6 metralhadoras Browing .303pol ( 7,62mm ) e duas metralhadoras Browing .50 pol ( 12mm ) , duas .303 pol ficavam alojadas no nariz abaixo do motor e as outras 4 nas asas, as ponto 50 ficavam entre os cofres de munição das .303 pol.
 
Apesar das .303pol serem de menor calibre a velocidade de tiro se equiparava ou até superava as .50pol , dando um formidável capacidade de tiro ao avião , que a baixa altura mantinha os 650 km/h facilmente.
O Corpo Aéreo do Exercito solicitou alguns Mustang´s para avaliação, e gostou do que sentiu no avião, mas pediu para substituir as MG´s ( metralhadoras ) por alguns canhões hispano 20mm dos Ingleses, e alguns ainda ganharam freios aerodinâmicos para operar como bombardeiros de mergulho rápido, este ultimo ficou conhecido como A-36 Apache, a idéia foi bem aceita e a RAF acabou recebendo alguns Mustang II com os canhões de 20mm ( 4x20mm como os Typhoon posteriormente ).

Os P-51A da U.S. Army Corps foram testados em segredo na base de teste no Deserto do Mojave, com alguns usando um esquema de pintura que os deixavam parecidos com os P-40E usados pelo Exercito. Foram analisados todas as possibilidades da maquina exaustivamente, e o Exercito acabou adquirindo varias unidades. 
 
Empregando-as junto as tropas era uma maquina formidável, os A-36 Apache alem de terem os freios aerodinâmicos eram equipados com 4xcanhões hispano, podiam lançar bombas de 454 kg em mergulho e metralhar com extrema eficiência qualquer alvo no solo, como o hispano tem uma boa cadência de tiro também poderia ser usado contra tanques, mas ai usando balas mistas, como traçantes em combinação a incendiarias e de alto impacto - high impact HI ,  se tornou um tormento na Malasia para os Japoneses posteriormente.

 
 
P-51B Mustang / Mustang III RAF


O P-51B surgiu quase que de um palpite , o então piloto de provas da RAF ,  Ronald Harker testou o Mustang I/P-51A e com o comentário " um avião danado de bom, ele só precisa de mais um empurrão".  E ele sugeriu ao chefe dos Engenheiros Aerodinâmicos da Rolls´Royce em Huncknall, que o Mustang seria ideal para o motor Merlin 61 ou o motor merlim era o ideal para o Mustang.
 
Brincadeira ou não, isto fez os engenheiros dos dois lados do Atlântico pensarem, o Merlim 61 tinha sido desenvolvido para o Spitfire Mk IX , que havia alcançado 417 mph a 28.000 pés. E dois técnicos pensaram que a combinação força e aerodinâmica do Mustang seriam algo impensado no momento, e so havia um jeito de descobrir, o LTc Thomas Hitchcock Adido aeronáutico americano em Londres ficou muito entusiasmado com a idéia, e forçou a colocação do motor no Mustang, mas o então General Arnold da USAAF não deu muita importância ao fato, pois ele tinha em mãos os P-47C e os P-38 novinhos e não sabiam ainda que ambos iriam sofrer nas mãos dos Bf-109G alemães , e que teriam problemas de alcance nas futuras missões de bombardeio ao território alemão que ainda estavam para começar.
 
Mesmo assim a Roll-Royce começou a realizar as modificações necessárias em 4 Mustang I , designados agora como Mustang´s X , Hucknall, isto logo no inicio de maio de 1942, sendo que o 4º Mustang recebeu o R&R Merlin 65 ao invés do 61 previsto, este era um motor especial com compressor de dois estágios e carburador de injeção Bendix Stromberg.
 
Logo de inicio, no primeiro vôo em outubro de 1942, com o piloto Ronald Shepher nos comandos, o Mustang agora de cara nova se mostrou surpreendente, com uma hélice agora de 4 pás agora o Mustang tinha fôlego para subir até onde nem se pensava na época. com o primeiro estagio foi atingido a marca de 390 mph a 20.000 pés e com o segundo estagio  o avião atingiu 413 mph sem muito esforço. Mas o que mais impressionava os pilotos de teste era diferença de manejo nos controles, o Mustang com motor allison era docil, mas o Merlim 61 o deixou bem nervoso, tal fato so foi solucionado com a adoção de uma pequena barbatana na frente do estabilizador traseiro. No segundo vôo de teste o 2º Mustang atingiu a marca de 433 mph a 22.000 pés deixando os técnicos de boca aberta.
 
Os mesmos testes foram feitos pela USAF em Bovingdon, onde o protótipo vôo com a cor verde-oliva fosca e identificações americanas, isto abriu caminho para o novo e surpreendente aparelho, todos estavam de comum acordo, o P-51B era um novo avião com nova proposta e poderia agora enfrentar os Bf-109´s em qualquer lugar.
 
Como a fabricação do P-51B foi aumentada com o acumulo de pedidos da USAAF e RAF , foi aberto mais uma linha de montagem, a principal a do P-51B em  Inglewood na fabrica da North American, e o novo P-51C em Dallas-Texas na segunda sede na NA, não havia diferenças entres as versões e a designação era meramente administrativa, ou seja para identificar a procedência da aeronave, mas as unidades da RAF e P-51B feitas em Inglewood receberam primeiro a nova capota Malcon Wood , uma conversão das usadas nos Spitfires , assim melhorando a visibilidade do P-51B/C.
 
As operações do P-51B/C começaram logo que os P-47C começou a demonstrar ser inapto a escoltar os B-17, ocorreu em  junho de 1942 uma grande missão sem escolta que gerou um número absurdo de perdas de B-17, para sanar este problemas esquadrões águia equipados com os spitfire MkV  tiveram suas aeronaves trocadas pelos novos P-51B e começaram a participar das missões de escolta.
 
Na primavera de 43, mais precisamente em 27 de setembro de 1943, um grupo de 291 B-17 atacou uma fabrica de rolamentos em Schweinfurt e os P-47C foram escolta-las a 23.000 pés, ocorreu tantos problemas  neste vôo que muitos P-47C com tanques auxiliares tiveram que voltar, simplesmente os tanques deixavam de fornecer combustível por baixa pressurização ou por grandes vazamentos, como o alcance do P-47C já era critico para a missão as B-17 foram sozinhas para o alvo, 60 B-17 foram derrubadas , 17 seriamente danificadas e não voltaram a operar tão sedo e 121 sofreram pessadas baixas entre suas tripulações e danos leves, isto foi a deixa para os novos esquadrões de P-51B começarem a assumir o serviço e os P-47C relegados as missões de ataque junto as tropas como eram feitas com os P-51A. 

 
 
P-51D Mustang / Mustang V - RAF


Um novo subtipo foi encaminhado para o front alguns meses antes  do Dia D , era o novo P-51D Mustang, chamado de Mustang IV pelos ingleses , ele era diferente dos demais por ter uma cabine em forma de bolha, e duas .50pol a mais que a versão B, as então novas versões da Browning .50 MG-53-2 com motores eletricos para alimentação, tento as MG´s internas 400 cartuchos e as das extremidades 270 cartuchos cada, perfasendo um total de 1.800 cartuchos a uma candência de tiro de 80 tiros por minuto cada uma das seis armas.
Tinha a nova versão do visor de tiro giroscópio K-14, aperfeiçoamento da antiga serie 11-D da RAF, suas asas tinham agora novos reforços para bombas de 1.000 libras ou uma combinação de bombas , foguetes e tanques alijáveis.
 
Apesar do P-51D ser ligeiramente mais lento que o P-51B/C , a perda era recompensada pelo ganho na visibilidade do piloto, que agora poderia ver a calda sem a necessidade de um espelho retrovisor, mas o P-51D ainda guardou alguns sustos para os novos pilotos.
 
Com a retirada da corcunda ( Razorback ) da fuselagem o arrasto aerodinâmico foi alterada, e fez com que uma onda de choque batesse na calda de maneira a que em determinadas manobras de alto G, o avião se tornasse instável ao ponto do piloto perder o controle, tal fato também aconteceu com a transição do p-47C para a versão D, ambos aviões tiveram este problema reduzido com o aumento da barbatana da cauda do P-51D e o acréscimo dela nos P-47D-30.
 
O P-51D foi o mais fabricado de todo as as versões, também foi o que mais lutou na guerra, pois chegou no momento certo, alguns meses antes do Dia D , com um alcance suficiente para acompanhar as B-17 e B-24 na ida e na volta, atormentou a Luftwaffe de todas as maneiras, quando não achava oponentes nos Céus da Alemanha os pilotos de P-51 desciam para o deck e metralhavam tudo o que achavam no caminho de volta.
O P-51D também lutou no pacifico e foi cogitada uma versão para porta-aviões dele, devidamente modificado, um P-51D concluiu satisfatoriamente os testes, mas o seu longo nariz não o faziam um bom avião naval, e a US Navy ja tinha o seu Corsair, e portanto não se foi feito muito esforços para ter outro caça naval.
 
O P-51D também lutou na Guerra da Coréia, prestando serviços como apoio aéreo junto as tropas , atacando pontes, comboio de caminhões, depósitos e eventualmente enfrentando os Yak-9UT , mas o Mustang também chegou a lutar contra alguns MiG-15 que se atreviam a ir buscar briga  próximo ao solo, e ficou claro que nesta altura o Mustang ainda era perigoso para qualquer inimigo, mas não poderia acompanhar um caça a mais de 500 metros do solo, e a briga ficou mesmo entre os F-80 e F86 contra os MiG15.
 
Para quem achava que o Mustang não sobreviveria depois da Guerra da Coréia, caiu do cavalo, até 1975 a ANG , Guarda Aérea Nacional , manteve diversos F-51 e TF-51 na ativa, quando descarregou os que ainda voavam para a aviação civil.

 
 
Novas Batalhas Aéreas


Para quem acha que o Mustang é uma coisa do passado esta totalmente por fora da historia desta maquina, ainda hoje ele voa em batalhas incríveis, só que invés de usar balas usam a velocidade, e ela que traz inumeros veteranos e até novos pilotos a voar os Mustang´s nas Corridas Aereas do Reno.
Não é raro ver Mustang´s  beirando os 800 km/h a apenas 200m do chão. Com motores altamente preparados ou até modificados.
 
Um Merlim pode chegar a ter quase 3.000 cv com a devida preparação , mas ja teve outros Mustangs que usam outro tipo de motores como os Griffons de hélices contra rotativas como o Red Barom, mas neste caso todos voam na categoria Unlimited.
Nestes duelos e normal ter os favoritos e ano a ano existem uma alteração entre concorrentes que degladiam pelo troféu da corrida. Para ver como este tipo de prova é tão rápida o avião madrinha é um  MiG-15.
 
Alguns dos favoritos são o Strega , um Mustang preparado  e pilotado por Bill "Tiger" Destefani , e o seu principal adversário o Dago Red , pilotado por Skip Holm que em 17 de Setembro de 2000 conseguiu a incrível marca de 489,681 mph a apenas 250m do chão ... e ai tem folego para acompanhar uma corrida desta ?
Claro que existem outro como o Voodoo , outro Mustang belíssimo, mas existe também os concorrentes como varios Sea Fury´s , Corsair , Yak´s , Spitfires , mas o rei nestas corridas continua a ser o Mustang !!!!



 
 
 
Um mito nunca morre - Thunder Mustang

 
Dizem que um mito não morre e tende a se perpetuar, bom dois projetos de replica insistem em firmar este dito como verdadeiro,são eles o   Thunder Mustang e o Stewart S-51 , vou comentar sobre o Thunder pois é o que eu conheço.
 
Segundo o  especialista em replicas nos Estados Unidos Sandy Loehle, especialista da EAA-Divisão de replicas de caças , diz que  as replicas de warbird´s tende a se proliferar, e principalmente a dos P-51 que são as mais procuradas, segundo ele todos amam o 51.


Sendo assim existe um mercado interno nos EUA muito grande para replicas como estas. Quando o Thunder Mustang foi apresentado na feira de Oshkosh-97 , surpreendeu os amantes de P-51.
 
Sendo feito em escala 1/ 0.75, ligeiramente menor que o verdadeiro todo em fibra de carbono e similares, e com um pequeno motor turbo Falconer V-12 de 600 hp( existe um outro de 1.200hp disponível ), consegue atingir velocidades próximas a 500 mph e uma razão de subida de 5.500 pés por minuto, superando o Mustang original !!!
O  Thunder Mustang é fruto de um arrojado trabalho de Dan Denney ,  dono da Papa-51 , firma criada por ele para desenvolver a fabricação de replicas.  Segue abaixo uma rápida comparação entre o p-51D original e o Thunder Mustang:

 
  P-51D Mustang Thunder Mustang
Motor Rolls-Royce Merlim V-1650-7 Falconer V-12
Potência 1.590 hps a 3.200 hp´s( preparado ) 640 hps ( 1.200 hps futuramente )
Cilindrada 1.649 cu.in ( 27,0 lts ) 601 cu.in ( 9.85 lts )
Hélice Hamilton Standard 134" , 4 pás - passo variavel MT 94" , 4 pás - velocidade const.
Comprimento 09,81 m 06,83 m
Envergadura 11,29 m 07,26 m
Area de asa 21,90m2 09,67m2
Peso máximo 5.206 kg´s 1.453 kg´s
Fator de Carga G +8G / -4G +9 G/ -6G
Velocidade Nivel do Mar 603 km/h / 375 mph ( não preparado ) 603 km/h / 375 mph ( motor de 604hp )
Vel
. Max.  a 25.000 pés
703 km/h / 437 mph marca ainda não estabelecida
Vel. Cruz a 75% potência 483 km/h / 300 mph 555 km/h / 345 mph
Razão de subida 2.800 pés/ min 5.200 pés / min
Alcance , fuel interno 1.590 km 1.295 km

 
 
Ficha Técnica
  A-36A P-51A P-51B P-51D P-51H
Motor Allison  Allison  Packard  Packard  Packard
Versão V-1710-F3R V-1710-81 V-1650-3 V-1650-7 V-1650-9
Potência 1.150 cv 1.125 cv 1.520 cv 1.590 cv 2.218 cv
Envergadura 11,29 m 11,29 m 11,29 m 11,29 m 11,29 m
Comprimento 09,81 m 09,81 m 09,81 m 09,81 m 10,16 m
Altura 03,72 m 03,72 m 04,10 m 04,10 m 04,10 m
Peso Vazio 2.858 kg 2.858 kg 3.200 kg 3.230 kg 2.900 kg
Peso Carregado 3.901 kg 3.901 kg 3.901 kg 5.206 kg 4.500 kg
Veloc. Máxima 628 km/h 630 km/h 710 km/h 703 km/h 796 km/h
Ascensão inicial 792 m/min 792 m/min 990 m/min 1.050 m/min 1.180 m/min
Altitude Máxima 9.144 m 9.144 m 11.900 m 12.770 m 12.770 m
Alcance  724 km 724 km 1.100 km 1.529 km 1.400 km
Armamento
  • 6 mg´s .50 pol
  • 454 kg bombas
  • 4 mg´s .303 pol
  • 4 mg´s .50 pol
  • 918 kg bombas
  • 4 mg´s .50 pol
  • 918 kg bombas
  • 6 mg´s .50 pol
  • 918 kg bombas
  • 6 foguetes
  • 6 mg´s .50 pol
  • 1.000 kg bombas
  • 6 foguetes

 



 
 
 

Texto Complementar :  Fatos Desconhecidos ou Esquecidos


 
Devido a semelhança entre o Bf-109 e o Mustang  com  capota  " razorback ", chegou  a  fazer  com  que  pilotos aliados abrissem fogo contra estes mustangs (o A-36A, e os P-51A, B e C ), como no caso a seguir:
Retirado do livro: P-51 Mustang, o Corcel dos Ares, editora Renes.
 
Um  dos  pilotos  de  Mustang  atacado  por   avião  " amigo "  foi  o  Tenente  Glenn Eagleston: " Eu dirigia  uma esquadrilha de 3 aparelhos no ataque feito a Brunswick no dia 10 de fevereiro de 44( nota: obviamente nesta data o  aparelho  que  ele  deveria  estar  pilotando  era  um  P -51B  ou  C  ).  Nas  proximidades  do   lago  Steinhuder, dirigi-me  para o sul, a   fim  de  investigar  se  havia  por  perto  aviões   inimigos.  Então, avistei  6 Bf-109  a  uns 1.500 m acima de nós, e na direção do sol.
 
Quando iniciei uma curva de subida para tomar posição de ataque, minha esquadrilha foi atacada por uns 8 P-47. Vi um deles  passar  por  mim,  com um Bf -109 atrás, e  fui  no encalço do avião inimigo,  com  meu  companheiro seguindo-me.
 
Quando manobrei para tomar posição de disparo, fui atacado por um P-47 pela ré, sendo atingido numa das asas e ao  longo  da  fuselagem.  Afastei-me  e  observei  o  P-47  até  convercer-me  de  que  o  seu  piloto  havia  feito  o necessário  reconhecimento,   mergulhando  depois   para  atacar   2  Bf -109  que,  a  uns  300 m  abaixo  de  mim, aproximavam-se da cauda de meu companheiro.
 
Procurei  rapidamente  colocar-me  atrás  do  que  estava  mais  perto  e  disparei  uma  rajada prolongada, vendo o impacto das balas na fuselagem. Quando me  afastei, fiz   um  circuito,  vi  meu  companheiro  disparar  contra  um Bf -109 que se descontrolou e, a seguir explodiu.
 
Meu companheiro juntou-se a mim e partimos para a base, pois o motor  estava  aquecendo.  A  pressão  do  óleo caiu para zero quando atravessei a costa inimiga e, com o motor gelado, fiz a travessia da costa inglesa a 3.450 m de altitude, pousando a salvo."

 

2º Texto complementar

 Retirado do livro: P-51 Mustang, o Corcel dos Ares, editora Renes.

Seis  dias  depois,  outros  15  caças  Luftwaffe  foram derrubados numa grande batalha aérea travada na área de Halberstadt e Oschersleben. O melhor desempenho do dia foi  do ás  Major James H. Howard,  ex-integrante  do grupo  dos "Tigres-Voadores".  Quando  os caças inimigos foram avistados, os P-51 separaram-se para atacar e, sem-cerimoniosamente,  isolaram  seu  comandante,  Major Howard,  da  formação  de  ataque. Os bombardeiros estavam  sob  ataque  de  caças  alemães,  que  os  acossavam  de  todos  os  lados. Howard avistou uma solitária " caixa " de  bombardeiros  que recebia  forte  castigo  de  uns 40 aviões inimigos ( nota: isso ocorreu nos grandes ataques de bombardeiros  americanos  contra a  Alemanha, com  formações que chegavamn a 1.000 bombardeiros escoltados por centenas de caças ).

Sem  demora,  Howard,  no  seu Mustang, o "Ding Hao", partiu contra eles. O 1º a por-se no seu caminho foi um bimotor  Bf -110,  que  recebeu  algumas  rajadas  de  suas  metralhadoras,  irrompeu  em  chamas  e caiu ao solo, coberto de neve.

Howard  avistou   abaixo  dele  um Focke Wulf 190,  que  tomou a direção do sol ao ver o P-51. Howard conseguiu colocar-se atrás dele,  deu-lhe uma  devastadora rajada com suas 4 metralhadoras de .50 e viu o piloto abandonar o aparelho. O seguinte foi um BF -109  cujo piloto  tentou  fazer  com  que o P-51 o ultrapassa-se baixando os seus flaps, mas Howard fez o mesmo e permaneceu em sua cauda. O 109 foi jogado ao chão, com o motor  em  chamas.

Howard  dirigiu-se  a  seguir  para  os  bombardeiros  e,  no caminho, deu com outro Bf-110,  no qual logo  acertou várias balas, pondo-lhe fim à carreira. Avistou depois outro 109 que começava a entrar numa curva de ataque aos bombardeiros.

Howard firmou-se atrás dele e fê-lo descer vomitando fumaça negra do motor. Neste ataque, 3 das metralhadoras de Howard deixaram de funcionar ( nota: o P-51B tinha sérios problemas de quebra de  metralhadoras,  o  que  só foi resolvido no P-51D  ). Com  apenas  1 metralhadora,  ele  mergulhou  contra  outro 109,  acertando-o inúmeras vezes. O piloto germânico, então, afastou-se da área num mergulho.

O último avião inimigo que Howard encontrou naquele dia foi um Dornier  Do-217,  bimotor,  que  se  posicionava lateralmente  aos  bombardeiros  para  disparar  seus  foguetes.  O  piloto do  P-51 mergulhou sobre ele e o piloto alemão decidiu não atacar , embora Howard não chegasse a disparar contra ele.

Os que iam a bordo dos bombardeiros não encontravam palavras para expressar seus encômios ao desconhecidos piloto de Mustang. Um deles, ao exprimir a impressão da luta,  disse:  " Foi  a  briga  de  um  americano  solitário contra toda a Luftwaffe ". Descoberta, porem, a identidade do piloto, o pessoal  das  relações  públicas  abateu-se sobre ele, mas a todos o modesto Howard respondia: " Cumpri apenas o meu dever ".

Os tripulantes dos bombardeiros, mais tarde, confirmaram que Howard abateu naquele encontro 6 caças inimigos, façanha que lhe valeu a "Medalha de Honra do Congresso."

Clesio "Mago" Luís - " Crazy P-40 "
Lista Naval / Warbird´s BR

 


Raio-X P-51B

Raio -X P-51D


 

Som do Motor Merlin 61


 

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